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Como se não bastasse o assassinato de um cidadão negro dentro de um supermercado na véspera do dia da Consciência Negra, a população assiste a episódios recorrentes e cada vez mais escandalosos que escancaram cada vez mais o machismo e o racismo estruturais da sociedade brasileira. A diferença é que não tem mais como se calar diante dessas atitudes, que estão sendo fortemente questionadas, inclusive com  manifestações de rua.

Já faz tempo que essas pautas são bandeira de luta do SINESP, que realiza campanhas e ações afirmativas contra todos os tipos de discriminação e preconceitos.


Na Casa do Povo

Cenas revoltantes e lamentáveis não deixam nenhuma dúvida sobre um crime cometido dentro de um dos pilares do estado democrático - a Assembleia Legislativa de São Paulo -, cujo autor é um parlamentar eleito pelo povo.

Na última quarta-feira, dia 16 de dezembro, a deputada estadual Isa Penna, do PSOL, é assediada publicamente por um colega no plenário da Assembleia Legislativa. Nem a presença de câmeras constrangeu o então deputado do Cidadania Fernando Cury, que acabou expulso do partido. 

depisapenna

Cala a boca, negro!

Neste domingo, dia 20 de dezembro, um jogador de futebol sofre um ataque racista em campo e ainda é rechaçado pelo treinador, que se une ao agressor para ofender a vítima.

Gerson Santos, jogador do Flamengo, ouve do meio-campista colombiano Índio Ramírez, do Bahia, a seguinte frase: "CALA A BOCA, NEGRO!". Após a ofensa, em aúdio registrado, o então técnico do Bahia, Mano Menezes, diz ao jogador do Flamengo: "Agora virou malandragem?", acusando Gerson de estar se ‘vitimizando’. Uma cena que faz lembrar as falas de um dos seguranças momentos antes da morte de João Alberto no Carrefour, no dia 19 de novembro: "Sem cena, tá?". 

internadep

Gerson Santos foi ao Instagram publicar um manifesto sobre o ocorrido:

"Amo minha raça e luto pela cor."

O "cala boca, negro" é justamente o que não vai mais acontecer. Seguiremos lutando por igualdade e respeito no futebol - o que faltou hoje do lado contrário. Desde os meus 8 anos, quando iniciei minha trajetória no futebol, ouço, as vezes só por olhares, o “cala a boca, negro”. E eles não conseguiram. Não será agora.

"Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista". Não adianta ter o discurso, fazer campanha, e não colocar em prática em todos os aspectos da vida, inclusive dentro de campo. O futebol não é algo fora da sociedade e um ambiente onde barbaridades como o “cala a boca, negro” podem ser aceitas.

É uma pena nós, negros, termos que falar sobre isso semanalmente e nenhuma atitude no esporte ser tomada a respeito. E é mais triste ainda ver a conivência de outras pessoas que estão dentro de campo e que minimizaram e diminuíram o peso do ato de hoje no Maracanã. É nojento conviver com o racismo e ainda mais com os que minimizam esse crime.

Não vou "calar a minha boca". A minha luta, a luta dos negros, não vai parar. E repito: é chato sempre termos que falar sobre racismo e nada ser feito pelas autoridades.

Racismo é crime. E deve ser tratado desta maneira em todos os ambientes, inclusive no futebol.

Não me calaram na vida, não me calaram em campo e jamais vão diminuir a nossa cor.


Cada vez mais o questionamento dos problemas estruturais do Brasil estão mobilizando as pessoas em um sentimento de Basta! que tem ganhado as ruas em manifestações mundo afora que exigem uma mudança de rumo. Machismo e racismo não podem ser normalizados. 

A atividade sindical do SINESP é pautada em princípios consolidados em votações ao longo de vários Congressos da categoria. Entre os itens aprovados no último congresso, que ocorreu de 24 a 27 de setembro de 2019, está a Manutenção e fortalecimento pelo SINESP de formação, núcleos de discussão, campanhas e ações afirmativas contra todos os tipos de discriminação e preconceitos com referência a afrodescendentes, indígenas, migrantes, opção política, gênero e sexualidade, misoginia, idade e diferentes quadros de deficiência – intelectuais, físicas, auditivas e visuais

>>> Clique aqui e veja o conjunto consolidado de lutas aprovadas no último congresso do SINESP

O SINESP repudia veementemente o machismo e o racismo e se junta à parcela da sociedade que não aceita mais esse tipo de atitude!

Basta! Não vão nos calar!

SINESP, junto com os gestores educacionais!

Junte-se com quem luta com você!


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