Aconteceu no SINESP
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O SINESP Diálogos de sexta-feira, 14 de agosto, trouxe uma conversa necessária com a Drª em Psicologia Vera Iaconelli sobre os reflexos da situação imposta pela pandemia na saúde mental e emocional dos profissionais de Educação e dos educandos, e sobre os desafios colocados para lidar com a situação.

As Dirigentes do SINESP Flordelice Magna e Márcia Simões participaram de um profundo e sensível Diálogo com a Doutora.

O programa SINESP Diálogos visa a ampliar a ação do Sindicato, apresentando para discussão e debate temas atuais, relevantes e importantes para a categoria em transmissões ao vivo pelo Youtube e pelo Facebook.

Veja abaixo o diálogo na íntegra:

Um diálogo necessário com uma Drª em Psicologia

O mundo vive em um cenário que os estudiosos estadunidenses chamam de VUCA: volátil, incerto (uncertain), complexo, ambíguo. Do dia para a noite é preciso se reinventar, aprender novas formas de continuar a vida em meio a uma pandemia que afeta toda a humanidade. O alto custo emocional e mental de tudo isso já se faz sentir. Ansiedade, nervosismo, estresse, distúrbios do sono e da alimentação são queixas recorrentes nas conversas com familiares e colegas de profissão.

Será possível uma travessia menos traumática? E o pouso, tem de ser forçado? Como dar e pedir ajuda? Quando e como fazê-lo? 

Quem não está sofrendo hoje é porque não está entendendo a gravidade da situação, afirma a Drª Vera Iaconelli. Ela pontua que temos uma referência do começo do século passado com a Gripe Espanhola. E, naquela ocasião, a sociedade registrou grandes avanços e mostrou que a humanidade pode trabalhar em conjunto e criar novos laços, ainda mais poderosos. Não vamos sucumbir. Vamos contar histórias sobre isso para os nossos descendentes! E quando contarmos, saberão que estivemos do lado certo, o da escola, o dos que batalharam e que fizeram acontecer, assinala a especialista.

São muitos desafios: ficar em isolamento físico procurando manter laços sociais e afetivos, desempenhar vários papéis e funções ao mesmo tempo, sem treinamento anterior, inventar formas de sobreviver sem trabalho formal (metade do contingente de trabalhadores encontra-se sem emprego), tentar a produtividade no trabalho de novas formas - para os que mantêm vínculo empregatício -, construir e manter redes de solidariedade...

Soma-se a isso que o Poder Público, além de não dar apoio e suporte, ainda está sempre lutando contra, agora mais ainda com essa questão do Home Schooling, alertam as dirigentes do SINESP. É complexo falar de ensino a distância, principalmente para as crianças pequenas, pontua Márcia Simões. 

Querer vender o Home Schooling agora é oportunismo, má-fé e anticientífico, protesta a doutora. Todos esses ataques estão acontecendo porque a gente é muito potente. Faz muita diferença as crianças pensarem, faz muita diferença a potência do educador. Essa potência a gente não pode esquecer nunca!

Ela conta que atende muitos professores e pais de alunos de classe média alta e está verificando que mesmo as crianças de classes mais abastadas que iam bem na escola estão indo mal. A criança tem uma experiência global na escola e quando perde isso começam a aparecer as dificuldades na aprendizagem, revela. Ensino a distância, para a especialista, só funciona para quem já é formado. Na Formação não!

Mesmo para os estudantes mais velhos, a modalidade não tem se mostrado eficiente, alerta a doutora. A ausência da escola potencializa o acesso a informação muito ruim, como pornografia, fake news e violência. É preciso que os adultos tenham muito controle do que os estudantes têm consumido e, em caso de acesso a conteúdo impróprio, ver o que está acontecendo e fortalecer o diálogo.

Além de tudo isso, todos os dias, a gente se depara com ataques racistas, violência contra a mulher e na prática da escola estamos percebendo um aumento das agressões. Quando estávamos na escola, o nosso contato social ajudava a aliviar essas dores, sublinha a dirigente Flordelice.Magna 

Temos um governo que eu chamo de desgoverno, que fomenta a violência com discursos contra as mulheres, negros e indígenas, e que é representativo, dada a aprovação do presidente Bolsonaro na pesquisa Datafolha publicada hoje. A violência social e a racial estão aí desde a origem do Brasil e ainda não resolvemos essa situação, salienta a doutora. E para as mulheres, além do aumento da violência doméstica, tudo isso se agrava por conta da dupla, tripla e até quádrupla jornada a que estão sendo submetidas.

Os Gestores Escolares estao tendo que se desdobrar, com várias reuniões por dia, e, não estão vendo mais o limite entre trabalho e descanso, por conta das demandas que chegam a todo momento por WhatsApp, telefone e e-mail. Fomos jogados nesse mundo digital e está sendo muito desgastante!, adverte Flordelice.

Então acabou a carga horária? Ninguém aqui foi contratado para trabalhar virtualmente! Para Vera Iacomelli, em primeiro lugar, é preciso aprender a dizer NÃO, parar de pensar que dá conta de tudo. Está na hora de começar a ser mal-educado! Hoje é sábado! Hoje é domingo! Temos que começar a pensar em saúde mental senão a gente adoece, alerta. Quando a gente para de preencher buracos, as soluções aparecem.

É preciso reforçar o cuidado psíquico. É importante ter rotina com o corpo, com a alimentação, colocar limite no trabalho, guardar um período do dia para abstrair, recomenda a especialista. Além disso, quando a escola se reunir novamente, vai ter que ter um momento para as pessoas falarem sobre o que aconteceu.

O sofrimento só volta como sintoma quando a gente não fala sobre isso. Vamos ter que sentar e recolher os cacos. Ajudar a criança a narrar, para colocar em uma linha simbólica de rituais, para o processo de luto. O ano de 2020 já foi. A própria comunidade de ensino é que está em jogo agora. O que a gente tem que transmitir esse ano é o laço social.

Uma iniciativa que a Drª Vera Iaconelli  participa, por exemplo, é do Instituto Gerar de Psicanálise. Eles têm o projeto Varandas Terapêuticas, para oferecer, de forma solidária, acompanhamento psicológico em grupo. É só mandar um e-mail pedindo para participar, no endereço Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou clicando aqui.

O SINESP se preocupa com a saúde do trabalhador

O SINESP sempre se preocupou com as condições de saúde dos Gestores Educacionais. Nos 23 Congressos já realizados pela categoria, o tema sempre se revelou candente.

A pesquisa anual realizada pelo Sindicato para compor o Retrato da Rede, que já soma 12 edições no formato científico atual, também evidencia os estragos da pressão sobre a categoria para o corpo, a mente e alma dos educadores, revelando que as condições inadequadas de trabalho causam adoecimento profissional como estresse, ansiedade,  nervosismo, angustia, entre outros.

Veja AQUI a edição 2020 do Retrato da Rede.

Dos debates e da pesquisa saíram resoluções que visam a defender a preservação e cuidados com a saúde física e mental dos Gestores.

Entre elas está a recuperação do HSPM para atendimento pleno e qualificado, a defesa de melhores condições de salário e de trabalho como meio para a eliminação do alto índice de doenças profissionais, atendimento preventivo à saúde principalmente no caso de doenças profissionais, agilização das perícias médicas e, sobretudo, o estabelecimento de políticas públicas de promoção à saúde do servidor, de caráter preventivo e terapêutico.

Em complemento a essas lutas, o Sindicato promove, através do CFCL-SINESP, atividades e convivências que buscam proporcionar qualidade de vida aos Gestores ativos e aposentados.

Entre elas estão cursos de idiomas, de tecnologias, atividades culturais como clube de leitura, música em debate, cine debate, passeios e exposições, cursos de atividade físicas ioga, pilates e tai chi chuan, tudo isso adaptado para o meio virtual como forma de apoio nesse momento de isolamento social.

O Sindicato também está entrando em contato com os filiados aposentados por telefone para acolher e interagir, informar e apoiar, além de atualizar o cadastro para garantir comunicação permanente.

E também criou formas, com suas equipes em home office, para manter em meio à pandemia o trabalho de assessoria personalizado que presta aos filiados, jurídico, administrativo, pedagógico e político.

Veja entrevista com a Drª Ana Maria Rossi, especialista em psicologia clínica, realizada pelo SINESP em junho de 2020, sobre caminhos pra lidar com a saúde mental e emocional na pandemia.

Comentários   

# Soraya de Sousa Srna 11-08-2020 18:10
Acho muito importante tratarmos sobre essas questões
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