Marcha de Mulheres Negras de SP reúne manifestantes na Praça da República

Aconteceu no SINESP
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Entre os princípios do SINESP está o combate à violência de gênero e racial.

ato mulheres negras destaqA luta por direitos e reconhecimento de igualdade de gênero e etnia foi a tônica da Manifestação de Mulheres Negras de São Paulo nesta quinta-feira, 25 de julho. O SINESP esteve presente fazendo coro às reivindicações. Esse é, também, um dos princípios que norteiam as ações do Sindicato, ratificado em Congresso – Confira aqui as lutas e princípios aprovados no 22º Congresso SINESP.

O evento foi marcado por discursos fortes e emocionados de quem muitas vezes tem suas vozes silenciadas. Mulheres Negras são as vítimas mais frequentes de casos de feminicídio no país: o número de homicídios delas cresceu mais de 60% em uma década, em comparação com um crescimento de 1,7% nos assassinatos de mulheres não negras, de acordo com o Atlas da violência, lançado em junho deste ano.

O estudo aponta ainda que, somente no ano de 2017, mais de 221 mil mulheres procuraram delegacias de polícia para registrar agressões (lesão corporal dolosa) em decorrência de violência doméstica. Importante destacar que este número ainda está aquém da realidade, pois muitas mulheres deixam de prestar queixas por medo e/ou vergonha.

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Outro dado alarmante é a concentração dos casos de violência contra a mulher: 40% dos casos aconteceram dentro de casa. Esse número chama a atenção para o debate acerca da flexibilização do estatuto do desarmamento. Há uma preocupação latente de que ela implicará num aumento do número do ato extremo da violência doméstica: o homicídio. 

Mahins, Malês, Marielles e Dandaras

O peso da desigualdade racial é determinante nos casos de violência relatados nos últimos anos. 75,5%das vítimas de homicídio no Brasil em 2017 eram negras. A manifestação desta quinta-feira foi um grito pedindo atenção para esses dados. Ao invocar os nomes dessas 4 mulheres, vítimas reconhecidas como símbolos dos movimentos de lutas contra o racismo e a violência de gênero, a memória é resgatada e a energia se renova para a luta.

Educar para transformar a realidade

Nesse cenário de violência, sabe-se quem são as vítimas e os agressores. Mas por que os índices estão cada vez piores? A resposta é simples, porém incômoda: porque a sociedade brasileira ainda considera normal e, portanto, aceitável que homens disponham da vida e do corpo das mulheres como desejam. A frase “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” reflete bem essa postura. É por isso que a educação tem papel fundamental nessa pauta.

O SINESP é ciente de que situações de violência à mulher aparecem no dia a dia das escolas e exige envolvimento e respostas dos Gestores. Por isso, defende a pauta da luta contra a violência de gênero e o racismo, promove ações que busquem por fim a essas situações, na oferta de cursos, palestras e outros eventos formativos, e participa de atos e mobilizações sobre o tema.

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