Prefeitura desmonta o SAMU para economizar, e diz que vai melhorar

Aconteceu no SINESP
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Os servidores municipais do SAMU estão em luta para impedir as mudanças anunciadas pelo governo, merecem e precisam de todo apoio dos demais servidores e da população!

SamuO SAMU é benquisto, respeitado e goza da confiança da população paulistana. Em acidentes domésticos, nas ruas e nas emergências médicas todos pensam imediatamente nele, e o chamam pelo fone também conhecido por todos.

Nas unidades escolares ele também é um parceiro importante, pois as ocorrências com crianças e trabalhadores são rotineiras.

Como está hoje já há alguns problemas. Muitas vezes o atendimento emergencial demora pra chegar. Há relatos de Gestores Educacionais que precisaram buscar alternativas para evitar a omissão de socorro e garantir atendimento médico e hospitalar a alunos e profissionais das escolas.

A sensação que se tem é de que o SAMU já está um tanto sucateado e precisa melhorar para atender a necessitada população da metrópole ainda com mais rapidez e qualidade.

Mas tudo indica que a prefeitura vai no sentido contrário.

Covas quer fechar 31 bases do SAMU!

O governo começou uma mudança a no dia 25 de março. Vai desativar 31 das 58 bases existentes e realocar os funcionários para espaços instalados dentro de unidades de saúde como UBSs (postos de saúde), AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e pronto-socorros administrados por OSs (Organizações Sociais).

Isso não é nada bom para os trabalhadores e para a população!

Esses locais não estão equipados para receber as equipes do SAMU. Elas nem terão como higienizar e esterilizar equipamentos, ambulâncias e uniformes. Isso vai derrubar a salubridade e a segurança no atendimento para os profissionais e para a população.

Ao contrário do que diz a prefeitura, a realocação das bases diminuirá o número de equipes à disposição. Também ampliará o tempo para atendimento, pois as bases atuais estão em pontos estratégicos e vão para locais que não foram pensados para agilizar o deslocamento.

Em nome da economia, a população vai amargar a piora do atendimento. Um motorista da base da Casa Verde, na Zona Norte, explicou ao Portal G1 que “quando recebemos uma ligação de emergência estamos em uma área estratégica dentro do perímetro de atendimento. Com a mudança do ponto de trabalho, os atendimentos vão demorar mais, o que pode ser crucial para os pacientes, podendo resultar em um óbito.”

A prefeitura não nega que quer economizar, mas faz contorcionismos verbais e numéricos para tentar convencer que o serviço não vai piorar. Não explica, por exemplo, como ficará o atendimento nas regiões mal assistidas por equipamentos de saúde.

Trabalhadores em luta

O pessoal do SAMU realizou assembleia no dia 01 de abril e divulgou uma nota, abaixo reproduzida. Todo apoio a eles!

NOTA PÚBLICA DA ASSEMBLEIA DOS TRABALHADORES/AS DO SAMU

- Contra o fechamento das bases do SAMU! 

- Pela garantia de verdadeiras condições de atendimento de urgência e trabalho dos servidores do SAMU!

Os trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU realizaram uma paralisação a partir do meio dia desta segunda-feira, 01.04.2019, em São Paulo. Uma paralisação parcial, por se tratar de serviço de ordem essencial: 30% das equipes assistenciais aderiram à paralisação.

Realizamos tal paralisação, por conta das mudanças anunciadas pela Prefeitura de São Paulo, de fechamento de 31 bases modulares do SAMU e realocamento dos funcionários destas bases para os chamados “pontos de assistência”, que são salas precárias localizadas  dentro de  Unidades Básicas de Saúde (UBS),  Assistência Médica Ambulatorial (AMA), Unidade de Pronto-Atendimento (UPA),  Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre outras. Mudanças que afetam diretamente a assistência à população. 

Em primeiro lugar, os chamados “pontos de assistência” não têm estrutura para o tipo de trabalho realizado pelo SAMU, faltam estruturas para a higienização de materiais, de ambulâncias, de equipamentos e dos próprios trabalhadores. Sem esta estrutura, que existia nas Bases fechadas pelo Prefeito Bruno Covas, o risco de contaminações e mortes nos atendimentos irão aumentar.

Em segundo lugar, a mudança diminui o número de trabalhadores do serviço: enquanto as bases antigas possuíam de duas a três equipes por plantão, os pontos de atendimento só possuem uma. Com isso, a administração municipal reduzirá o número de equipes disponíveis, aumentando o tempo de resposta para atendimentos.

Em terceiro lugar, os novos pontos de assistência não possuem estudos epidemiológicos e estatísticas de atendimento que justifiquem suas respectivas localizações, já que foram dispostos, em sua grande maioria, em unidades de atenção básica e de atendimento psicossocial. Diferentemente, as antigas bases fechadas, se localizavam em locais que facilitavam a chegada rápida de ambulâncias aos locais com alto índices de ocorrências.  

Ou seja, com tais mudanças as ambulâncias demorarão mais para chegar às ocorrências e haverá riscos de contaminação nos atendimentos!

Por fim, lançamos mão da paralisação já que os canais de negociação formais se esgotaram quando os representantes da administração do SAMU não compareceram à Mesa Setorial de Negociação Permanente de SMS, ocorrida no dia 26 de março, bem como nenhum representante do SAMU, nem da SMS, compareceram na audiência pública da comissão de saúde da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 27 de março.

EM ASSEMBLEIA DOS TRABALHADORES/AS DO SAMU DECIDIMOS EXPOR O QUE REIVINDICAMOS

Suspensão do processo de “Descentralização de equipes assistenciais” (deflagrado pela portaria 190/2019-SMS.g - http://legislacao.prefeitura.sp.gov.br/leis/portaria-190-de-22-de-fevereiro-de-2019/consolidado) para que possamos discutir os termos dessa descentralização: mudanças são necessárias no SAMU de São Paulo, mas não queremos mudanças que prejudique os trabalhadores, que piorem a qualidade da assistência à população, que aumente o tempo resposta das ocorrências e que gerem riscos de contaminação e morte. Por isso queremos discutir com seriedade técnica e política todas as variáveis colocadas no processo de descentralização, para que nem o cidadão(ã) paulistano(a), nem o trabalhador(a) samuzeiro(a) saia prejudicado(a). 

Para tanto, temos os seguintes pontos de reivindicações para negociação com o Governo:

1. Suspensão da Portaria 190/2019-SMS.G;

2. Retorno das equipes às respectivas bases modulares;

3. Retorno das equipes aos respectivos plantões de trabalho;

4. Retorno dos plantões de 24h;

5. Cancelamento do espelhamento de ambulâncias;

6. Não à redução de vagas no SAMU, levada a cabo pela portaria 190/2019;

7. Retorno das viaturas de Suporte Intermediário de Vida (SIV), com Auxiliar, Enfermeiro e Condutor, bem como com os equipamentos e materiais adequados;

8. Viaturas de Suporte Básico de Vida (SBV) com 1 condutor e 2 auxiliares de enfermagem;

9. Abertura de concurso público para todas os cargos que compõem o SAMU;

10. Retorno do Núcleos de Educação em Urgências.

Amanhã, 02.04 (terça-feira) entregarem um ofício ao prefeito, com esta pauta de reivindicação dos trabalhadores do SAMU. Tais pontos de reivindicação devem ser discutidos diretamente com o Prefeito Bruno Covas e representantes da Secretaria Municipal de Saúde e da administração do SAMU.

CALENDÁRIO DE CONTINUIDADE DO MOVIMENTO

- Encerramento da paralisação de 01 de abril (segunda) às 19h;

- Estado de greve e estado de Assembleia Geral permanente do SAMU a partir das 19h do dia 01 de abril;

- Solicitação de audiência do governo municipal para abrir negociação de nossos pontos de reivindicação;

- Panfletagem da Carta Aberta e reforço do Ato do Dia Mundial da Saúde (04 de abril, às 10h);

- Paralisação de 48 horas dias 9 e 10 de abril (terça e quarta), caso o governo não nos receba para a negociação até então;

- Assembleia na terça, 09 de abril.

Comentários   

#2 Patrícia Basile de C 02-04-2019 23:40
Necessidades básicas não se cortam!!!!
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#1 Erica 02-04-2019 21:12
Um grande absurdo!!! Que pais é esse meu Deus!
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