É preciso falar sobre o suicídio, um mal que cresce na sociedade e impacta em nossas escolas

Aconteceu no SINESP
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Campanha nacional discute tema polêmico para combater preconceito e diminuir os números alarmantes das mortes prematuras, com índice crescente entre crianças e jovens – As Escolas precisam saber abordar o tema em seus projetos pedagógicos.

stembro amarelo sinespO mês de setembro é marcado pela campanha de prevenção ao suicídio. Tema ainda tratado como tabu pela sociedade, é o responsável por uma grande parcela das mortes prematuras entre crianças e jovens. A campanha Setembro Amarelo tem por objetivo conscientizar a população sobre a importância de discutir o tema, já que 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O SINESP fortalece a campanha e divulga informações importantes para acabar com os mitos e diminuir os números tão escandalosos deste mal.

Mortes por suicídio cresceram 60% nos últimos 45 anos, segundo a OMS:

Aproximadamente um milhão de pessoas se matam todos os anos, em todo o mundo. Quando juntamos a este dado as tentativas falhas, o número é gritante, e multiplica-se em 20 vezes. No Brasil, o suicídio ocupa a terceira posição no ranking das principais causas de morte prematura. Pesquisa realizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) mostra que 32 brasileiros tiram a própria vida por dia, o equivalente a uma pessoa a cada 45 minutos. No mundo, ocorre um suicídio a cada 40 segundos. Por isso, ações preventivas são fundamentais para reverter essa situação. Segundo dados do Mapa da Violência , entre 2002 e 2012, a taxa de suicídio de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos aumentou em 40%, enquanto entre jovens entre 15 e 19 anos o índice cresceu 33%.

Mas o que leva alguém a tirar a própria vida? Até o século 16 o suicídio era uma questão religiosa ou filosófica, condenado ou glorificado dependendo de circunstâncias e conveniências. Quem primeiro afirmou que a tentativa de se matar era produto de doença mental foi o psiquiatra francês Jean-Étienne Dominique Esquirol, em meados do século 19. Anos depois, o também francês Émile Durkheim, considerado um dos pais da sociologia moderna, defendeu no livro O suicídio, de 1897, que o ato é resultado de uma sociedade que perdeu seus valores tradicionais, seus objetivos, sua identidade. O filósofo alemão Karl Marx também se dedicou ao tema, descrevendo três casos de pessoas que sacrificaram a própria vida, segundo ele, vítimas da opressão e da luta de classes.

Escolas podem evitar que a tristeza vire doença

Todos os pilares são essenciais, mas existem dois que são a chave para que esse problema não se intensifique: os pais e as escolas precisam debater e conscientizar os jovens e crianças que as emoções importam.  O trabalho pedagógico deve envolver os pais e agentes da saúde, levar em conta o contexto de vida de cada aluno e se concentrar em atividades que promovam a interação, o acolhimento socioemocional e a criação de uma cultura da paz.

O SINESP, sempre atento às demandas da categoria, defende a cultura de paz através da gestão democrática, voltada ao olhar do entorno da unidade educacional (comunidade), como parte indissociável de seu P.P.P.

IDEA é um acrônimo prático utilizado como metodologia especialmente criada para ensinar crianças e adolescente a gerenciar as emoções, confira:

I – Identifique os pensamentos que estão ocorrendo no momento da ansiedade intensa;
D – Desafie os pensamentos com perguntas simples: “Posso estar exagerando?” “Há outras possibilidades para interpretar essa situação? ;
E – Encontre novas formas de pensar;
A – Assuma um novo comportamento.

“Na era da informação a invisibilidade é equivalente à morte”

Como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, a falta de conhecimento/ignorância pode trazer riscos terríveis à toda sociedade. Por isso, é importante conhecer alguns dados sobre as causas do suicídio. Segundo a OMS, a depressão, principal motivador do ato extremado, afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Em dez anos, de 2005 a 2015, esse número cresceu 18,4%. E esse total, representa cerca de 5% da população mundial. No Brasil, 5,8% da população está sofrendo deste mal, ou seja, um total de 11,5 milhões de brasileiros. Ainda de acordo com a OMS, entre os países da América Latina, o Brasil é o que possui maior número de pessoas em depressão.

Somente entre 2011 e 2015, o número de casos de suicídio cresceu em 12%, e é a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Se em 2011 o número foi de 10.490 mortes, em uma média de 5,3 a cada 100 mil habitantes, em 2015 o número chegou a 11.736, subindo para 5,7 a cada 100 mil pessoas. Ainda, Segundo a OMS, o suicídio é a segunda causa mundial de mortes entre pessoas dessa faixa etária, sendo que mais de 90% estão ligados a distúrbios mentais.

Reconhecer que uma pessoa está com depressão não é tarefa fácil, e requer avaliação de especialista (psicólogo e/ou psiquiatra) que indique o tratamento mais adequado para o mal. No entanto, ela apresenta alguns sinais que podem ser observados por pessoas próximas a quem sofre da doença. Mudanças bruscas de personalidade, alterações no desempenho escolar ou no trabalho podem ser sinais de que a pessoa sofre de algum transtorno que pode levar ao suicídio. Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, isolamento familiar ou social, pessimismo, perda ou ganho inesperado de peso, frequência de comentários autodepreciativos ou sobre morte, ou a doação de pertences que antes o indivíduo valorizava também são sinais que devem ser notados.

Causas que podem desencadear a depressão:

Alguns hábitos de vida podem levar a pessoa a desenvolver um quadro depressivo. São fatos conhecidos e comprovado por médicos e especialistas que o abuso de substâncias, abuso físico e sexual na infância, bullying, desemprego, perda recente do emprego ou endividamento dos pais, dificuldade de integração e socialização na escola, dificuldades em relação a identidade e orientação sexual, histórico familiar de transtorno psiquiátrico, problemas emocionais, familiares e sociais, rejeição familiar, situações de luto, assédio moral, trabalho infantil, e violência familiar podem ser gatilhos para o desenvolvimento de um quadro depressivo no indivíduo.

Alguns mitos conhecidos sobre o suicídio:

1) “Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir uma pessoa a isso!”

Questionar de modo sensato e franco fortalece o vínculo com a pessoa, que se sente acolhida e respeitada

2) "Ele está ameaçando o suicídio apenas para manipular os outros!"

Muitas pessoas que se matam dão sinais verbais ou não verbais de sua intenção para amigos, familiares ou médicos. Não se pode deixar de considerar a existência desse risco. Lembrando que 90% das pessoas que se suicidam possuíam transtornos mentais; elas poderiam ter sido tratadas

3) "Quem quer se matar se mata mesmo..."

Essa ideia pode conduzir ao imobilismo. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Prevenção é impedir os casos que são evitáveis

4) "Uma vez suicida, sempre suicida!"

A elevação do risco de suicídio costuma ser passageira e relacionada a algumas condições de vida. A ideação suicida não é permanente. Pessoas que já tentaram suicídio podem viver, e bem, uma longa vida

O que fazer quando identificar sinais que indiquem a possibilidade do suicídio:

1) Não deixe a pessoa sozinha

2) Tire de perto armas de fogo, álcool, drogas ou objetos cortantes

3)Leve a pessoa para uma assistência especializada

4) Ligue para canal de ajuda: 188 é o telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV). Também é possível receber apoio emocional via internet (www.cvv.org.br), email, chat e Skype 24 horas por dia.

 

Assista ao vídeo oficial da Campanha "Setembro Amarelo: Combater estigmas salva vidas!":

 

Assista também ao teaser produzido pela Corsana Filmes sobre o tema:

 

 

Comentários   

#1 CLEONICE TELLES ZELI 05-09-2019 15:50
Alerta importante demais.O tema precisa ser realmente discutido sem medo, mas com carinho e conhecimento.
Parabéns pela divulgação
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