Alguns leitores do Clube constataram que o livro do sociólogo e professor universitário Jessé Souza esgota rápido nas livrarias. O que é um bom sinal de interesse dos consumidores de livros em entender o país, sua estrutura socioeconômica e política e os dilemas atuais.

Porque é disso que o livro trata sem medo de ser polêmico. O autor deixa claro desde as primeiras linhas que almeja abrir mentes, olhos e corações para entender o que está ocorrendo hoje, porque vai, em grande parte, determinar o futuro e as bases em que viverão as próximas gerações de brasileiros.

Jessé é um intelectual com ampla formação acadêmica e em pesquisa de campo, com passagem por várias universidades européias. Dessa carreira retirou material para produzir uma crítica do poder cultural que amassa e esfola os setores sociais mais pauperizados, a base da pirâmide social.

A elite do atraso que ele expõe é a ínfima ponta da pirâmide, uma minoria altamente privilegiada, que detém a maior parte das riquezas socialmente produzidas e não tolera dividir com os estratos sociais e econômicos inferiores.

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Fundamental na tese do sociólogo é a demonstração de que essa elite sustenta sua dominação num lastro cultural baseado em interpretações clássicas sobre a origem e o desenvolvimento da sociedade brasileira.

O papel da mídia empresarial na propagação dessas ideias reforça a tese. É ela que perpetua o mito da “corrupção na política”, que permite à elite do atraso mandar no país sem aparecer e se beneficiar com a verdadeira corrupção, que desvia os recursos sociais para suas contas bancárias e também não aparece, porque é cuidadosamente camuflada ou tratada como “legal” pelos meios de comunicação hegemônicos.

Em sua empreitada, Jessé enfrenta a tradição do pensamento sociológico brasileiro. Para ele, os conceitos do brasileiro como “homem cordial”, emocional, e do jeitinho brasileiro são falsos. Baseiam-se na concepção de um patrimonialismo herdado da colonização portuguesa que não considera o que para ele é essencial na estruturação do país, que é a escravidão.

As polêmicas com obras de autores consagrados como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Raimundo Faoro tornam o livro de Jessé Souza uma contribuição para o conhecimento do período escravocrata, o que ele engendrou e a herança que deixou na estrutura socioeconômica e nas ideias sociais dominantes na interpretação do Brasil e dos brasileiros.

Trata-se de leitura e reflexão recomendas para quem quer ampliar a visão sobre a realidade do país, pretérita e atual. Que devem ser feitas com espírito desarmado, em busca de compreensão e aprofundamento nas premissas e teses que o autor levanta levanta.

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Grupo de estudo

Frente ao enorme e desafio que é analisar uma obra teórica como essa, os presentes ao encontro do Clube de Leitura de 14 de fevereiro levantaram a proposta de analisar livros teóricos em grupos de estudo, com mais tempo e espaço para aprofundar conceitos e debates, e apreciar obras de cunho literário nos encontros do Clube. A proposta já está sendo estudada pela Diretoria Cultural do SINESP.

Até o próximo encontro do Clube de leitura do SINESP!

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