Com eleições como tema central, Parada LGBTI 2018 questiona política e costumes, denuncia desigualdades e celebra a felicidade humana

Aconteceu no SINESP
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ParadaLGBTI 2 18 Site 8A Av. Paulista estava lotada com muita gente bonita, animada, alegre e com a autoestima elevada. Lá estavam em defesa das liberdades democráticas e políticas, em luta pela cidadania, pelo direito a expressão livre da sexualidade e da identidade de gênero, lembrando Marielle Franco e exigindo esclarecimento de seu brutal assassinato.

A Parada é uma celebração da liberdade do corpo, da mente e do pensamento. Da expressão genuína ParadaLGBTI 2 18 Site 5da complexidade humana. Do fim das amarras à liberdade e à felicidade que as convenções sociais de origem medieval e ainda reinantes carregam.

Essa é uma maneira politizada e cidadã de entender e captar o clima da vigésima segunda edição da Parada do Orgulho LBGTI, que teve “Eleições” como tema, “Poder pra LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz” como slogan e foi realizada no domingo, 03 de junho.

A felicidade humana como valor maior!

Em suas 22 edições a Parada contribuiu muito para mudar a visibilidade e o espaço social para a diversidade. O preconceito nunca foi maior que a tolerância, é verdade. Mas foi preciso a população LGBTI, a juventude que quer viver e se expressar livremente e uma grande parcela da população ir às ruas para o combate à exclusão se tornar mais eficaz. A realização anual da Parada do Orgulho LGBTI contribuiu muito para isso.

Os desafios continuam, entretanto. Ainda se veem pronunciamentos preconceituosos, inclusive de políticos, autoridades e candidatos a representante do povo. E ainda acontecem ações violentas. A mobilização precisa continuar crescente para que essas atitudes sejam cada vez mais rejeitadas e percam espaço para a generosidade, a tolerância e a igualdade.

Assim a democracia ganha muito. Isso significa força na defesa da diversidade sexual e da livre expressão da sexualidade, da identidade de gênero, da opinião política e da liberdade como direito.

A alegria que contagia na Parada é bem-vinda. Pois é preciso lutar com alegria e com energia positiva para expressar com irreverência que a tolerância é uma conquista de mulheres e homens que colocam o amor à frente de todas as atitudes. E reafirmar o poder das pessoas felizes na construção de uma sociedade sem preconceitos, com igualdade e justiça social, econômica e política.

É disso que se trata a Parada. Ela representa a luta para que a liberdade e a justiça prevaleçam sobre a truculência e a opressão. E que isso reflita em eleições e políticas que tenham como sentido a felicidade da humanidade. Toda ela, e não uma pequena e privilegiada parte.

Toda maneira de AMOR vale a pena! O errado é não AMAR! Esse é o recado final da Parada. Que ela venha ainda mais forte em 2019!

A juventude e a liberdade

ParadaLGBTI 2 18 Site 9Ela estava em peso na Parada. Não apenas sua parcela LGBTI. Uma parcela muito maior que também questiona, rejeita rótulos, quer se expressar com liberdade e se reconhece além da configuração binária impositiva e limitadora.

É uma grande notícia. Mostra que a juventude reocupa seu lugar transgressor, inovador e questionador.

Mas sofre um bombardeio vigoroso. O marketing e a mídia corporativa são mestres em captar tendências comportamentais e criar produtos industriais e culturais que esvazie esse lugar no consumo. Criam signos poderosos que invadem o universo jovem. Desviam as energias criadoras da juventude da direção das grandes mudanças que elas pronunciam. Se esmeram em manter vivas as cargas negativas do machismo, da misoginia, do prazer e da felicidade como produtos, da violência contra o corpo jovem e sua desvalorização em objeto de consumo.

Talvez o grande desafio da educação, dos educadores e das escolas seja alcançar um diálogo empático com a juventude a partir dos estímulos e dos signos que a sociedade de hiperconsumo impõe. E então possibilitar no ambiente escolar um espaço para visões críticas, alternativas e de resistencia ao fluxo que prende os jovens às bolhas da cultura de consumo.

Assim é possível vislumbrar uma educação que estimule e liberte as correntes inovadoras que habitam a alma juvenil!

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