Dia do Professor e da Criança em tempos temerosos

Aconteceu no SINESP
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DiaProfessor Outubro sempre foi mês muito comemorado entre os educadores. Dia da criança e dia do professor são datas de muita alegria, festa, emoção, uma profusão de sentimentos que nos fazem lembrar como é bom ter escolhido a nossa nobre profissão.

Não que a vida do professor seja fácil, pois decididamente nunca foi. Principalmente para nós, da Educação Pública. Sempre nos deparamos com a pobreza, com as limitações sociais, além das profissionais e  pessoais. Por muito tempo carregamos uma certa frustração, dada a convicção de que a educação poderia mudar o mundo, até que Mestres,  Paulo Freire, António Nóvoa e tantos outros, ensinaram que a excessiva carga de responsabilidades  deve ser compartilhada com outros setores sociais também importantes, família, políticas públicas, mídias, etc.

Esse outubro de 2017 exige dos educadores sérias reflexões. A tragédia ocorrida no Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, da cidade mineira de Janaúba, enlutou o país. Expôs a gravidade do não tratamento das doenças mentais, caso em que se enquadrava o vigia que incendiou a escola, causando mortes e sofrimento. Mas também mostrou o heroísmo de uma professora, Heley Abreu Batista, que deu a vida ao tentar salvar seus alunos. Corre na internet um vídeo mostrando outro professor, Mariano Salas, que construiu, de forma criativa, um suporte que amarrou ao seu próprio corpo, proporcionando à sua aluna Agostina Andreata, deficiente física, a sonhada possibilidade dançar com os coleguinhas.

Não são casos isolados. Cada um de nós conhece educadores que enfrentam condições adversas para exercer a profissão. É o caso das equipes que atuam em áreas de conflito, que enfrentam violências diversas, que administram escolas sem professores, sem funcionários para o suporte necessário, verbas precárias quando não inexistentes, que enfrentam longas distâncias, no trânsito ou no transporte, nas grandes cidades ou nos grotões.

Porque educação não é prioridade nas políticas públicas, ser educador tornou-se profissão de risco e pouco valorizada. Talvez tenhamos pouco a comemorar nesse outubro de 2017, ainda mais se lembrarmos  que em 2018 a educação vai deparar com os cortes orçamentários da EC 95/17, que prometem perdurar por vinte anos!

O país atravessa tempos realmente temerosos, em que governo e parlamento acusados de corrupção aprovaram uma reforma trabalhista altamente danosa aos trabalhadores. Em que o presidente da república,  para se livrar de ser investigado, loteia cargos e favores da mesma forma vergonhosa de sempre.

A situação também é adversa na cidade de São Paulo. Os educadores temem até mesmo a palavra “adequação”, pois vem sempre acompanhada de cortes de toda espécie, no leite, na merenda, no módulo de docentes, e por aí vai. A mesma palavra vem sendo usada para justificar a pressa de uma reforma previdenciária, com aumento de cobrança aos servidores de 11% para pretendidos 14%. Os mesmos servidores que ao longo dos anos têm seu salário “reajustado” em irrisório  0,01%.

As políticas são péssimas e os exemplos de cima deploráveis. Mas resta uma certeza, não podemos desacreditar da política, em razão das circunstâncias adversas e dos maus políticos. Educadores que somos, temos consciência do nosso papel rumo à mudança. Esse outubro de 2017 há de nos unir com as seguintes palavras de ordem: organizar, resistir e, mais do que nunca, lutar. Temos, bem perto de nós, exemplos de heroísmo e coragem, além de ensinamentos valiosos de Mestres que nos antecederam. 

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