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Sinesp - Jornal 166

  

EDITORIAL

Formação e responsabilidade

A Rede Municipal de Ensino de São Paulo terá que investir de forma mais responsável nos gestores educacionais, se realmente quiser ascender a um patamar mais compatível com as necessidades de uma cidade complexa como a nossa. Várias pesquisas e experiências comprovam a importância dos gestores no desempenho das Unidades Educacionais e na melhoria do ensino que oferecem à população. 

Em 2007 e 2008, cruzamentos de dados divulgados pelo Ministério da Educação, pela UNICEF e pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo comprovaram que o perfil dos Diretores melhora o desempenho dos alunos. Fatores como hábitos de leitura, acesso a bens culturais e tecnológicos, formação em mestrado, bem como a permanência por vários anos na direção das escolas têm impacto positivo na aprendizagem dos alunos
Gestão cada vez mais profissional e investimento forte em capacitação dos gestores também foram palavras de ordem em 947 municípios brasileiros que adotaram, entre 1999 e 2005, programas de gestão e acompanhamento escolar, segundo pesquisa realizada pela equipe do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade. Nesses municípios, o crescimento da taxa de aprovação anual, a redução do abandono escolar e da taxa de distorção série-idade evoluíram mais do que a média dos demais municípios, no mesmo período.

No município de São Paulo podemos afirmar que se faz muito pouco no sentido de capacitar os gestores escolares a desempenharem o importante papel que devem exercer. O Retrato da Rede, pesquisa realizada pelo SINESP com os Representantes de Local de Trabalho de todas as regiões da cidade comprova que os gestores se ressentem da falta de formação consistente da parte da Secretaria Municipal de Educação.  A formação oferecida se reduz, há anos, a cursos opcionais, administrados pela própria Secretaria ou contratados de institutos, que nem de longe atendem as necessidades dos gestores escolares paulistanos, que enfrentam diuturnamente desafios profissionais do tamanho da megalópole a que servem. Há mais de uma década os gestores não frequentam cursos que acrescentem valor ao seu fazer pedagógico. Há muitos anos o SINESP luta junto a SME pelo direito do gestor de cursar mestrado ou doutorado sem se afastar integralmente de suas funções.

Num momento em que há consenso de que o investimento na educação e nos educadores é o maior impulsionador da diminuição das desigualdades, é inaceitável este descaso para com a formação dos gestores educacionais. Diretores de Escola, Supervisores Escolares, Coordenadores Pedagógicos e Assistentes de Diretor da RME de São Paulo exigem da SME investimento em formação continuada mais compatível e profissional.

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Leia o Jornal do SINESP 166, de junho de 2009